Sucesso da agropecuária faz crescer procura por curso superior de zootecnia

Grande oferta de empregos ajuda a explicar aumento do interesse pelo estudo da criação de animais

Renan Marra
São Paulo

A expansão da agropecuária brasileira e a grande oferta de empregos no setor fizeram aumentar a demanda pelo curso superior de zootecnia, que estuda tanto a criação produtiva e rentável de animais quanto o desenvolvimento de produtos.

Entre os campos de atuação, o zootecnista pode trabalhar na seleção genética de animais, na produção de ração com mais qualidade e em outras formas de garantir o bem-estar dos bichos, considerando fatores como, por exemplo, espaço e aclimatação adequados em confinamento. 

“É uma área de grande potencial de crescimento. A agropecuária brasileira vem se desenvolvendo e crescendo nos últimos anos, mas ainda não consegue atender toda a demanda de exportação”, afirma Mário Chizzotti, chefe do departamento de zootecnia da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais.

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento mostram que, entre 2000 e 2017, a produtividade da agropecuária brasileira aumentou, em média, 3,8% ao ano.

O desempenho anima jovens interessados no setor. A zootecnia apareceu pela primeira vez entre as 40 graduações mais procuradas do país, segundo o Censo do Ensino Superior, lançado no ano passado e que usa dados de 2017.

Para se formar, o estudante precisa se dedicar por cinco anos, em geral. A graduação combina aulas teóricas e atividades práticas em laboratórios e ao ar livre, em contato direto com animais. 

Na Universidade de São Paulo (USP), o curso de zootecnia é oferecido em Pirassununga, a 200 km da capital paulista.

O campus tem diferentes setores de produção, como são chamados os espaços onde ficam rebanhos bovinos (bois e vacas), suínos (porcos), ovinos (ovelhas e carneiros) e caprinos (cabras e bodes). Também há avicultura (aves) e apicultura (abelhas), entre outros.

No setor bovino, são desenvolvidas pesquisas para aumento da produção do leite de vaca ou redução da gordura da carne do boi.

“Nossa área de trabalho vai do alimento do animal até o produto final na mesa do consumidor”, afirma a professora Roberta Brandi, coordenadora do curso de zootecnia da USP. 

Outra área de atuação do zootecnista é na criação e no desenvolvimento do potencial de animais usados em práticas esportivas, como cavalos. O profissional também pode se dedicar aos pets, buscando formas de melhorar a qualidade e o tempo de vida de cães e gatos.

Como atua também para prevenir doenças, muita gente confunde o trabalho de um zootecnista com o de um médico veterinário. O profissional não desenvolve nem receita medicamentos, mas atua na elaboração de dietas.

Segundo Roberta, o trabalho do zootecnista passou a ser mais valorizado nos últimos dez anos. “O mercado começou a entender a importância de colocar um profissional específico para trabalhar na produção animal em empresa ou na fazenda.”

O primeiro curso de zootecnia no Brasil foi fundado em 1966 pela Pontifícia Universidade Católica em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. A oferta praticamente triplicou nos últimos 20 anos, de acordo com Thiago Braz, que é coordenador do ensino de zootecnia da Universidade Federal de Minas Gerais.

Como os estudantes precisam trabalhar em espaços com criação de animais, o campus da faculdade precisa ser grande. “É um curso caro para uma instituição de ensino”, afirma Braz.

Das 87 graduações de zootecnia registradas no Censo de Ensino Superior, 68 (78%) são de faculdades públicas.

Entre as dez melhores instituições do RUF (Ranking Universitário Folha), quatro são universidades federais de Minas Gerais. Segundo Braz, o estado tem tradição no ensino de ciências agrárias. “Há faculdades antigas e fortes na área, como em Viçosa e Lavras”, exemplifica.

O profissional formado pode atuar em em laboratórios, em fábricas de rações, em empresas de consultoria agropecuária ou em fazendas.

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